sábado, 30 de julho de 2016

5 Versões que conseguem ser melhores que as originais

De repente, um compositor cria uma canção. Mas como ninguém é perfeito, ou ele, ou quem grava primeiro, se esquece de aperfeiçoar e o resultado não sai muito bom, ou no mínimo, mediano.

Aí chega outro cara grava a mesma canção e a transforma em algo agradável, para não dizer uma obra prima em alguns casos. Vejam aqui alguns casos de músicas em que a regravação consegue superar a original em qualidade.

1. Wherever I lay my hat (That's my home")

A música, composta e gravada originalmente por Marvin Gaye, pelo que sugerem as circunstâncias, era para ser uma canção bem sensível. Gaye tem muitas canções bem sensíveis em seu repertório e teve um estilo comovente de interpretar.

Mas não sei o que deu nele quando gravou esta música, que saiu como se fosse fundo musical de arranjos quase circenses como as músicas tocadas naqueles desfiles de Ação de Graças, com bandas marciais, cheerleaders com balizas e muitos carros alegóricos. Nada a ver com a letra de um cara que tranquilamente se sente em casa quando pode colocar o seu chapéu.

Em 1983, o soulman inglês Paul Young (aqui conhecido apenas por regravações, embora tivesse repertório próprio) consertou o erro e regravou a música como ela deveria ter sido quando criada: uma música lenta e sensível, com arranjo leve, tranquilo e comovente. Uma prova de que uma canção não raramente pode sair definitiva em uma segunda gravação.

Ouça a original neste link.



2. Girls just want to have fun

A original, gravada pelo próprio compositor, Robert Hazard, um new wave que parece um punk meio leve e com melodia quase caótica, soou meio estranha para uma canção que viria ser considerada um tema quase feminista pelo direito das mulheres se divertirem. A versão com Cyndi Lauper, além de ser mais gostosa de se ouvir, mais dançante, tem mais a ver com isso.

A versão soterrou tanto a original (o compositor virou um ilustre desconhecido) que esta caiu no esquecimento e a versão com Lauper se consagrou, sendo confundida como original por muita gente, além de ter gerado muitas regravações inspiradas na segunda versão.

Ouça a original neste link.



3. Borbulhas de Amor

Criada por um medíocre rumbeiro especialista em letras engraçadinhas de duplo sentido, o dominicano Juan Luiz Guerra, Burbujas de Amor nada tem de sensível. É lenta, mas combina mais com um clima semi-erótico do que com romantismo. Isso sem falar do coro medonho que acompanha e do jeito meio desajeitado de Guerra, que se comporta como se não não gostasse de cantar a música.

No Brasil, o cantor cearense Fagner, recebeu a missão de gravar uma versão em português da música e recebeu do poeta Ferreira Gullar (cuja obra tem qualidade consagrada) uma versão que foi denominada com a tradução do tema original. Foi uma verdadeira alquimia, pois a música ganhou o clima romântico que não tinha, além da letra muito mais elaborada e dos arranjos mais caprichados.

Ouça a original neste link.



4. Help

Os Beatles são a melhor banda de todos os tempos. Quase tudo que faziam estava acima da média. Mas na primeira fase, antes de 1966 a genialidade ainda não tinha aparecido. Apesar de ser uma belíssima canção, mesmo sendo rápida, em 1984, uma soulwoman contemporânea dos Beatles, Tina Turner, regravou a música de forma bem sensível e com a melodia radicalmente alterada. Parece outra música.

Na época, eu custei a perceber que era uma regravação da famosa canção escrita por John Lennon (e assinada junto com McCartney). Não que a original não fosse boa (se tratando dos Beatles, é certamente uma obra prima), mas Turner aperfeiçoou ainda mais, transformando-a em uma balada soul que reforça o pedido citado na letra.

Ouça a original neste link.



5. Unchained Melody

A música que foi gravada no início dos anos 60 e que foi incluída na trilha do filme romântico-místico Ghost, gravada pelo grupo vocal comportado Righteours Brothers (cujo um dos integrantes cantou o tema de Dirty Dancing, que teve o mesmo galã de Ghost, o falecido Patrick Swayze, que também era cantor) era bem piegas, típica das famílias comportadas do final dos anos 50, ainda dominantes na primeira metade da década seguinte. Uma baba.

Em 1988, a famosa banda U2, que como a maioria dos irlandeses e britânicos gostava de colocar raridades nos lados B de compactos, decidiu regrava-la para o lado B de All I Want is You, do documentário Rattle and Hum,  e a transformou em uma canção poderosa, sensível, com melodia impactante. A versão é muito melhor que a original e mostra a força da banda irlandesa, uma de minhas bandas favoritas, em regravar músicas de forma empolgada e definitiva.

Ouça a original neste link.

sábado, 16 de julho de 2016

Analisando "Starving" dueto recém lançado de Zedd com a atriz-cantora Hailee Steinfeld

Ontem foi o lançamento mundial de Starving, canção que marca a estreia da parceria entre Hailee Steinfeld com o DJ Zedd com participação do duo eletrônico Grey. 

Zedd é o segundo DJ mais famoso da atualidade (o primeiro é Calvin Harris, que também é músico e cantor) e trabalhou com Selena Gomez, Paramore, Foxes e muitos outros. O anúncio da faixa deixou sub-entendido que Zedd é convidado e que Hailee é a dona da musica (costuma ser o oposto), o que leva a suspeitar que poderá estar no álbum de estreia da cantora, a sair a qualquer momento.

A música começa meio acústica, com um efeito de teclado que imita um violão, já um clichê em boa parte das músicas atuais. Obviamente Starving não é música para se levar a sério: e comercial, é feita para o público juvenil e não pretende mudar o mundo nem melhorar a cultura yankee. Mas é melhor que muita coisa que se ouve nas rádios, o que comprova mais uma vez a intenção de Hailee de oferecer algo de melhor qualidade, mesmo respeitando os limites do bubble gum produzidos nos dias de hoje.

Starving significa faminto, mas a música não é sobre comida, apesar de Hailee demonstrar nas redes sociais que é uma gulosa controlada. A música comercial dos dias de hoje é monotemática, só falando de relações amorosas - contradição em uma época onde o ódio e relações por interesse predominam - e a música, como todas as que Hailee gravou, não foge disso.

Usa a comida como metáfora para narrar o que uma garota pensa de um relacionamento. Nada que traga alguma lição de vida como fez Love Myself, erroneamente interpretada como uma "música sobre punheta". A letra é meio banal e se serve para alguma coisa, é para ser cantada junto e só.

Aliás, Hailee não lançou ainda nenhuma música que fosse tão impactante quanto Love Myself, ainda hoje seu maior hit. Ela tem angariado excelente experiência de palco, a despeito de aderir ao espírito cabaret que contamina os concertos ao vivo da música comercial feita nos dias de hoje, priorizando a dança através da contratação de quatro dançarinas para "ilustrar" suas músicas.

Voltando a Starving, ela até que é uma canção bonita, calma e a bela voz de Hailee completa a função de agradar a quem ouve. Há um trecho que voz robotizada que me parece ser o único defeito da faixa. Mas ela não consegue estragar a música por completo.

Até o fechamento desta postagem, não foi informado sobre o verdadeiro autor da música. Sabe-se que Hailee é compositora e gosta de rabiscar algumas canções nos intervalos das filmagens. As composições são adaptadas por parceiros antes de serem de fato gravadas.

Mas mesmo assim é suave, agradável e cumpre a sua função de criar um climax romântico nas festas de adolescentes pelo mundo afora. Para isso que Starving foi intencionalmente criada.

sábado, 9 de julho de 2016

Sábado é o nosso novo dia!


Temos um novo dia para os nosso encontros! por causa de algumas mudanças nos blogues associados o Áudio Análise passa a ter suas postagens aos sábados. Nas quintas há a volta do Ynstituto, que deixará de ser sire nerd para ser um blog sobre curiosidades de todos os tipos.

Aguarde-nos no próximo sábado que retomaremos as postagens com coisas bem legais para lermos e também ouvirmos!