sábado, 12 de novembro de 2016

Leonard Cohen, um Patrimônio Cultural

Eu não estava planejando escrever sobre Leonard Cohen. Eu nunca curti a música dele e an minha ignorância, achava que a sua música combinava mais com o médio burguês caracterizado pelos médios empresários e profissionais liberais (médicos, advogados, engenheiros e similares), quando estes desejavam se "descontrair" e ouvir músicas "românticas" para curtirem com suas belíssimas (no sentido sofisticado do termo) e jovens mulheres.

Mas mesmo não gostando do som aparentemente monótono de Cohen, é impossível não reconhecer o seu altíssimo valor cultural. Discordo da maioria das pessoas quando elas preferem dar valor cultural apenas à aquilo que elas gostam ou o que pareça palatável. Para o senso comum, a música meramente dançante de letras medíocres e engajamento nulo de Michael Jackson soa muito melhor que a poesia reflexiva de Leonard Cohen. Mas do contrário do também falecido chacoalejante, Cohen pelo menos tem algo a dizer.

Talvez, ao meu ver, o bardo, canadense de Montreal, servisse muito mais como literatura (ele também era escritor) do que como música. Cohen, faleceu no último dia 7, aos 82 anos, de causa não revelada. Mas a idade elevada e o fato dele ter sido um fumante inveterado, tornam compreensível o falecimento acontecido. Mesmo assim, viveu muito e produziu muito, sem ter se aposentado de sua capacidade de criar.

O tipo de música que cantava era folk, mas numa tradução mais urbana. Não era roqueiro - aparentava ter uma postura sisuda demais para tal - mas tinha respeito quase unânime entre os roqueiros. Frequentemente era comparado com seu colega de gravadora (Columbia Records), Bob Dylan, quanto a qualidade de sua obra, embora a política não esteja entre os temas de sua obra.

Era um homem honesto, sensível, discreto e culto e se tornou um estudioso do budismo. Era exigente consigo mesmo e chegou a parar uma apresentação - eu vi isso em um documentário - por ela não estar do jeito que ele queria, se dispondo a devolver o ingresso ao público. Era um artista sincero, espontâneo e um ser humano de uma certa forma exemplar.

Suas criações, seja na música ou na literatura tinham constantemente a função de refletirmos sobre a vida e sobre o que acontece ao nosso redor. Ele mesmo gostava muito do verbo "refletir" e prefiro usar isso como marca para associar a Cohen para a eternidade.

Mesmo não curtindo a música de Cohen - talvez eu gostasse mais de ler as suas letras ao invés de ouvi-las - tenho a responsabilidade de reconhecer que morreu um verdadeiro patrimônio cultural humano. Um homem que soube mais do que muitos a soltar o que saía de sua alma e não dos escritórios de gravadoras (felizmente a mercenária Columbia sempre respeitou a espontaneidade de Cohen, patrono da Cultura Alternativa), como acontece com a maioria esmagadora dos cantores e grupos surgidos a partir de 30 anos para cá, meros produtos de entretenimento musical.

Em tempos de mediocridade cultural, sempre é triste a morte de verdadeiros mestres como Leonard Cohen. Como ele, a cultura vai morrendo junto, sem repor a lacuna deixada.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Bode Expiatório

Esta é a cantora teen Rebecca Black, conhecida por lançar as suas canções utilizando as redes sociais como plataforma de divulgação. Mas quando lançou a sua primeira canção, a ingênua e despretensiosa Friday (sexta-feita, razão de eu estar postando isso hoje), todo mundo começou a descer o cacete na coitada, como se ela fosse a responsável pela evidente decadência musical da atualidade. Um bode expiatório musical.

Coitada. Além da música dela ser claramente direcionada ao público infanto-juvenil, não tendo nenhum compromisso com o progresso das artes, não canso de escutar músicas muito piores que Friday nas vozes de Justin Bieber e das "imaculadas" Beyoncé e Britney Spears, os três tratados como "verdadeiros gênios" da atualidade e possuindo verdadeiros cães de guarda como fãs. Se Rebecca Black não é genial, está longe também de ser um desastre.

Ela está lançando uma nova canção, The Great Divide, e está dando entrevistas para divulga-la. Black, pelo jeito não levou a sério as - injustas - críticas e leva a sua carreira adiante, sem a obrigação de ser uma "Joan Baez" ou uma "Sarah Vaughan". Black canta para se divertir e depois da polêmica, parece não fazer muita questão de ser levada a sério.

Agora quanto a mulher Rebecca Black: rapaz, como ela é uma gracinha! Rebecca é linda demais e tem um belo corpo, com bons seios e também possui um sorriso apaixonante, além do jeitinho charmoso de falar e de gesticular. Pode até não ser uma grande cantora, mas como mulher é uma das melhores. Como uma admirável gata, não deixa a desejar.

Em tempo: a música abaixo lembra bastante o estilo de Katy Perry, um pouco melhorzinha do que muita coisa que a gente ouve por aí, e mesmo infanto-juvenil, soa palatável.

sábado, 24 de setembro de 2016

Não teremos postagens hoje

Estamos dando uma pausa por motivos pessoais. Dia 25 retornaremos com postagens esporádicas.


sábado, 17 de setembro de 2016

Uma música para Bella Dawson

Quando eu ouvia a rádio Antena 1, ouvi vária músicas de um cantor não muito famoso no Brasil de nome Paul Davis. Era um cantor de country music, cujo auge se deu nas décadas de 70 e 80 e infelizmente faleceu em 2008 por problemas cardíacos.

Mesmo sendo um cantor de country, que também se aventurou em outros gêneros, dentre eles, a soul music. Uma das músicas que tocou muito em 1982 era justamente um soul, com ritmo e estrutura similares aquelas músicas que servem de fundo para jogos esportivos nos EUA.

A música é '65 Love Affair (amor do ano de 1965) e é uma canção de amor, embora suas características lembram a de uma música feita para eventos esportivos (há no final da música, gritinhos, feitos por backing vocals, que lembram os gritos de cheerleaders).

Por ser romântica e ao mesmo tempo esportiva, pensei que poderia ser a música ideal para embalar as jogadas da personagem Bella Dawson do seriado Bella & The Bulldogs, cuja trama básica conta a estória de uma garota que se inscreve para entrar em um time masculino de futebol americano.

Bella é interpretada pela belíssima (desculpem o trocadilho involuntário) Brec Bassinger, uma das musas da novíssima geração e que se tornou uma de minhas paixões, graças a sua apaixonante beleza e jeitinho meigo. 

Curioso que o mesmo Paul Davis possui outras músicas, como Cool Night e Do Right que também servem como fundo musical para admirar belas garotas, embora sigam outro estilo e sejam mais lentas. Não seria nada mal aproveitar também estas canções para admirar a linda atriz que interpreta a artilheira dos Bulldogs. 

Ouça abaixo a música e me digam se ela não combina com as jogadas de Bella Dawson e com a beleza meiga de sua intérprete, Brec Bassinger

sábado, 10 de setembro de 2016

Prelude Records, a grife da boa black music

Tenho o hábito de visitar o YouTube atrás de músicas que ouvia em minha adolescência. Gosto bastante do som black oitentista, por unir rimo de melodia em arranjos ricos e muito bem mixados. Já falei sobre isso em postagem recente. 

Mas prestando bem atenção, muitas dessas músicas aparecem em compactos e álbuns em que aparecem com o mesmo selo: Prelude Records. E justamente as melhores músicas. Coincidência?

Não. Como a Motown e a Stax em décadas anteriores, a Prelude Records, embora subestimada, apresenta músicas disco, funk (esqueçam o lixo que existe sob esse nome atualmente - não é dele que me refiro), charme e soul de grande qualidade, normalmente conduzidos por orquestras acompanhando as bandas, enriquecendo a sonoridade com melodias muito bem feitas e arranjos impecáveis.

Muitos dos intérpretes participavam das composições, embora fosse mais comum vê-los se envolver com arranjo ou produção, não sendo rara a existência de compositores dedicados exclusivamente a escrever para os cantores. Estes tinham excelente voz, e mesmo que o tipo de música varie, as características vocais sempre remetiam ao melhor soul, sobretudo os das outras gravadoras que citei.

A Prelude Records, mesmo sendo um selo comercial e com o hit parade como meta, sempre procurou manter uma qualidade elevada em seu cast. O famoso DJ e produtor François Kevorkian, conhecido por produzir remixes para U2, Rolling Stones, e muita gente conhecida, chegou a trabalhar na Prelude como selecionador de cast, só para se ter uma ideia do nível de qualidade do selo.

Nomes como France Jolie. D-Train, Sharon Redd, Nick Strker Band, Unique e outros nomes que, infelizmente não conseguiram projeção mundial maciça, apesar do talento inegável, eram os principais nomes do selo, muitos atualmente no ostracismo ou cantando para plateias reduzidas. Uma pena.

A Prelude Records deixou de produzir em 1986 e foi absorvida pela Unidisc, um selo canadense que hoje faz parte da Universal Music Canada. Uma boa iniciativa para manter o precioso elenco da boa black music feita nos anos 80, de um selo que mesmo não muito famoso, deu a sua contribuição para enriquecer o gênero.




sábado, 20 de agosto de 2016

De onde tiraram a ideia de que Beyoncé é genial?

Embora poucos admitam, a música comercial é monstruosamente hegemônica. A carreira musical se tornou uma excelente fonte de renda e isso tem favorecido muita gente sem talento ou sem vocação a investir neste tipo de carreira em que se pode ganhar muito dinheiro sem o esforço braçal e intelectual de uma profissão convencional. Resultado: o que deveria ser espontâneo e criativo, sai falso e padronizado, como a  linha de montagem de uma indústria.

A superestimada Beyoncé Knowles. Knowles é considerada a "maior cantora da atualidade" e veio de um grupo vocal feminino conhecido como Destiny's Child, seguindo a linha oversinging de Whitney Houston, a cantora que arrasou com a música black, que antes dela, era uma maravilha e depois ficou medíocre. 

Com a carreira solo, Beyoncé foi trabalhada para ser um exemplo de mulher bem sucedida (como fazem com Ivete Sangalo aqui), conquistando em massa as jovens feministas mais ingênuas que enxergam na cantora um "Feminismo" sem ideias, mas com "atitude".

É uma bela embalagem que aberta se mostra com conteúdo chocho e sem utilidade. Beyoncé (que também lança mão do cabaret pseudo-erótico em suas apresentações, como em quase todo o pop pós-Michael Jackson), tem um repertório sofrível, alienado e padronizado, apesar de ter realmente uma bela voz, que é desperdiçada em seu tipo de música.

Estava em um shopping da cidade onde eu moro e estava tocando o álbum mais recente da cantora, chamado Lemonade*. Para os que enxergam genialidade na cantora, digo que estão vendo cabelo em casca de ovo. O álbum parece uma coletânea de tudo que é tocado no rádio em voz feminina. Uma cópia descarada do mais monótono do hit-parade dos dias atuais.

Quem é mais sensato e ouve Lemonade, é estimulado a perguntar: cadê a tão falada genialidade de Beyoncé? Porque ela é tão querida pelas jovens que se consideram feministas? Que tipo de contribuição cultural Beyoncé oferece fazendo uma sonoridade que não passa de produto fabricado pela indústria da música? 

A única resposta que se pode obter é que Beyoncé é comercial, existe apenas para divertir e sua importância para a evolução cultural é nula. A imagem de "mulher superpoderosa que influencia as feministas" é na verdade uma imagem construída para vender. Uma propaganda. 

Se Beyoncé não fosse levada a sério e fosse vista como música para divertir, tudo bem. Está bem claro que é para isso que ela existe. Mas embutir nela qualidades que combinariam mais com cantoras como Laura Nyro, Sarah Vaughan, Tori Amos e entre as mais recentes, Fiona Apple e Vanessa Carlton, só forçamento de barra. É querer que uma cantora competente mas, puramente comercial tomasse o lugar de cantoras mais compromissadas com a arte e com uma postura um pouco mais intelectual.

Beyoncé mostra que a música atual está cada vez mais comercial do que nunca, enganando muitos ouvintes e fãs. E que esse papo de "autenticidade" defendido por muitos jovens cantores atuais não passa de propaganda enganosa feita para embutir "espontaneidade" e intelectualidade" em algo que só é feito para se fazer sorrir e dançar.

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*OBS: Curioso que apesar da música atual ter se tornado monotemática, falando praticamente só de relações amorosas, os títulos de músicas e álbuns tem fugido desta tendência, o que significa que os entertainers de hoje apelam para a metáfora para disfarçar o monotema, já que quando ouvimos as obras, lá estão as relações amorosas, reais ou não, positivas ou negativas, sendo cantadas nas letras.  Estranho que o excesso de músicas sobre amor coincide com a atual época de ódio. Quem tem que provar o tempo todo que é alguma coisa, é porque não é esta coisa.

sábado, 30 de julho de 2016

5 Versões que conseguem ser melhores que as originais

De repente, um compositor cria uma canção. Mas como ninguém é perfeito, ou ele, ou quem grava primeiro, se esquece de aperfeiçoar e o resultado não sai muito bom, ou no mínimo, mediano.

Aí chega outro cara grava a mesma canção e a transforma em algo agradável, para não dizer uma obra prima em alguns casos. Vejam aqui alguns casos de músicas em que a regravação consegue superar a original em qualidade.

1. Wherever I lay my hat (That's my home")

A música, composta e gravada originalmente por Marvin Gaye, pelo que sugerem as circunstâncias, era para ser uma canção bem sensível. Gaye tem muitas canções bem sensíveis em seu repertório e teve um estilo comovente de interpretar.

Mas não sei o que deu nele quando gravou esta música, que saiu como se fosse fundo musical de arranjos quase circenses como as músicas tocadas naqueles desfiles de Ação de Graças, com bandas marciais, cheerleaders com balizas e muitos carros alegóricos. Nada a ver com a letra de um cara que tranquilamente se sente em casa quando pode colocar o seu chapéu.

Em 1983, o soulman inglês Paul Young (aqui conhecido apenas por regravações, embora tivesse repertório próprio) consertou o erro e regravou a música como ela deveria ter sido quando criada: uma música lenta e sensível, com arranjo leve, tranquilo e comovente. Uma prova de que uma canção não raramente pode sair definitiva em uma segunda gravação.

Ouça a original neste link.



2. Girls just want to have fun

A original, gravada pelo próprio compositor, Robert Hazard, um new wave que parece um punk meio leve e com melodia quase caótica, soou meio estranha para uma canção que viria ser considerada um tema quase feminista pelo direito das mulheres se divertirem. A versão com Cyndi Lauper, além de ser mais gostosa de se ouvir, mais dançante, tem mais a ver com isso.

A versão soterrou tanto a original (o compositor virou um ilustre desconhecido) que esta caiu no esquecimento e a versão com Lauper se consagrou, sendo confundida como original por muita gente, além de ter gerado muitas regravações inspiradas na segunda versão.

Ouça a original neste link.



3. Borbulhas de Amor

Criada por um medíocre rumbeiro especialista em letras engraçadinhas de duplo sentido, o dominicano Juan Luiz Guerra, Burbujas de Amor nada tem de sensível. É lenta, mas combina mais com um clima semi-erótico do que com romantismo. Isso sem falar do coro medonho que acompanha e do jeito meio desajeitado de Guerra, que se comporta como se não não gostasse de cantar a música.

No Brasil, o cantor cearense Fagner, recebeu a missão de gravar uma versão em português da música e recebeu do poeta Ferreira Gullar (cuja obra tem qualidade consagrada) uma versão que foi denominada com a tradução do tema original. Foi uma verdadeira alquimia, pois a música ganhou o clima romântico que não tinha, além da letra muito mais elaborada e dos arranjos mais caprichados.

Ouça a original neste link.



4. Help

Os Beatles são a melhor banda de todos os tempos. Quase tudo que faziam estava acima da média. Mas na primeira fase, antes de 1966 a genialidade ainda não tinha aparecido. Apesar de ser uma belíssima canção, mesmo sendo rápida, em 1984, uma soulwoman contemporânea dos Beatles, Tina Turner, regravou a música de forma bem sensível e com a melodia radicalmente alterada. Parece outra música.

Na época, eu custei a perceber que era uma regravação da famosa canção escrita por John Lennon (e assinada junto com McCartney). Não que a original não fosse boa (se tratando dos Beatles, é certamente uma obra prima), mas Turner aperfeiçoou ainda mais, transformando-a em uma balada soul que reforça o pedido citado na letra.

Ouça a original neste link.



5. Unchained Melody

A música que foi gravada no início dos anos 60 e que foi incluída na trilha do filme romântico-místico Ghost, gravada pelo grupo vocal comportado Righteours Brothers (cujo um dos integrantes cantou o tema de Dirty Dancing, que teve o mesmo galã de Ghost, o falecido Patrick Swayze, que também era cantor) era bem piegas, típica das famílias comportadas do final dos anos 50, ainda dominantes na primeira metade da década seguinte. Uma baba.

Em 1988, a famosa banda U2, que como a maioria dos irlandeses e britânicos gostava de colocar raridades nos lados B de compactos, decidiu regrava-la para o lado B de All I Want is You, do documentário Rattle and Hum,  e a transformou em uma canção poderosa, sensível, com melodia impactante. A versão é muito melhor que a original e mostra a força da banda irlandesa, uma de minhas bandas favoritas, em regravar músicas de forma empolgada e definitiva.

Ouça a original neste link.

sábado, 16 de julho de 2016

Analisando "Starving" dueto recém lançado de Zedd com a atriz-cantora Hailee Steinfeld

Ontem foi o lançamento mundial de Starving, canção que marca a estreia da parceria entre Hailee Steinfeld com o DJ Zedd com participação do duo eletrônico Grey. 

Zedd é o segundo DJ mais famoso da atualidade (o primeiro é Calvin Harris, que também é músico e cantor) e trabalhou com Selena Gomez, Paramore, Foxes e muitos outros. O anúncio da faixa deixou sub-entendido que Zedd é convidado e que Hailee é a dona da musica (costuma ser o oposto), o que leva a suspeitar que poderá estar no álbum de estreia da cantora, a sair a qualquer momento.

A música começa meio acústica, com um efeito de teclado que imita um violão, já um clichê em boa parte das músicas atuais. Obviamente Starving não é música para se levar a sério: e comercial, é feita para o público juvenil e não pretende mudar o mundo nem melhorar a cultura yankee. Mas é melhor que muita coisa que se ouve nas rádios, o que comprova mais uma vez a intenção de Hailee de oferecer algo de melhor qualidade, mesmo respeitando os limites do bubble gum produzidos nos dias de hoje.

Starving significa faminto, mas a música não é sobre comida, apesar de Hailee demonstrar nas redes sociais que é uma gulosa controlada. A música comercial dos dias de hoje é monotemática, só falando de relações amorosas - contradição em uma época onde o ódio e relações por interesse predominam - e a música, como todas as que Hailee gravou, não foge disso.

Usa a comida como metáfora para narrar o que uma garota pensa de um relacionamento. Nada que traga alguma lição de vida como fez Love Myself, erroneamente interpretada como uma "música sobre punheta". A letra é meio banal e se serve para alguma coisa, é para ser cantada junto e só.

Aliás, Hailee não lançou ainda nenhuma música que fosse tão impactante quanto Love Myself, ainda hoje seu maior hit. Ela tem angariado excelente experiência de palco, a despeito de aderir ao espírito cabaret que contamina os concertos ao vivo da música comercial feita nos dias de hoje, priorizando a dança através da contratação de quatro dançarinas para "ilustrar" suas músicas.

Voltando a Starving, ela até que é uma canção bonita, calma e a bela voz de Hailee completa a função de agradar a quem ouve. Há um trecho que voz robotizada que me parece ser o único defeito da faixa. Mas ela não consegue estragar a música por completo.

Até o fechamento desta postagem, não foi informado sobre o verdadeiro autor da música. Sabe-se que Hailee é compositora e gosta de rabiscar algumas canções nos intervalos das filmagens. As composições são adaptadas por parceiros antes de serem de fato gravadas.

Mas mesmo assim é suave, agradável e cumpre a sua função de criar um climax romântico nas festas de adolescentes pelo mundo afora. Para isso que Starving foi intencionalmente criada.

sábado, 9 de julho de 2016

Sábado é o nosso novo dia!


Temos um novo dia para os nosso encontros! por causa de algumas mudanças nos blogues associados o Áudio Análise passa a ter suas postagens aos sábados. Nas quintas há a volta do Ynstituto, que deixará de ser sire nerd para ser um blog sobre curiosidades de todos os tipos.

Aguarde-nos no próximo sábado que retomaremos as postagens com coisas bem legais para lermos e também ouvirmos!

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Uma belíssima pérola rara que os amantes da boa música deveriam ouvir.

Não é de surpreender que em tempos de mediocridade cultural e intelectual existam belíssimas canções que acabam caindo no esquecimento. E esta é uma delas.

Estava no YouTube procurando músicas new wave para ouvir e por acaso achei esta faixa. Por curiosidade cliquei na miniatura da imagem e foi a melhor coisa que eu fiz. E por pouco deixo de conhecer essa maravilha.

A música é The Haunted Moon (a lua assustadora), de uma banda desconhecida de rock alternativo que atende pelo nome de Lyon in Winter (Lyon, cidade da França, no inverno). A gravadora é a obscura Cryptovision, que eu saiba, sem representante distribuidora.

A música é lindissima, altamente melódica e com bela letra e arranjos instrumentais perfeitos. Soa como se fosse publicada entre 1985 e 1987. Não consegui encontrar informações sobre a banda ou seus membros. O único texto que eu encontrei sobre a banda sugere que a banda seja americana, embora o cara pareça estar cantando com sotaque levemente inglês.

Fico chateado em saber porque ela é tão ignorada. Mas tem gente que enxerga beleza nos berros de Whitney Houston (que arruinaram a black music dita "muderna") e nos irritantes gaguejos pseudo-tecnológicos do "funk" carioca e que certamente achariam monótona qualquer música que representasse fartura de beleza artística que mentes pouco acostumadas com a verdadeira arte são incapazes de assimilar.

Ouçam essa lindíssima música e arrumem um jeito para gravar e guardar em seu acervo de mp3, como eu fiz. Não se fazem mais musicas com tamanha beleza como os caras do Lyon in Winter fizerem com The Haunted Moon. No mínimo uma obra de arte de primeiríssima.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

A polêmica sobre "Stairway to Heavem" ser um plágio

Jimmy Page e Robert Plant, núcleo central do Led Zeppelin e autores responsáveis pela canção Stairway to Heaven, música mais conhecida da banda, foram processados por advogados de Randy California, líder da banda Spirit, que alega ter havido plágio de uma canção de sua autoria, Taurus, lançada cerca de 3 anos antes da famosa canção da banda de Page e Plant (1971, no em que eu nasci).

Não entendo da parte técnica da música, mas de forma meio leiga eu notei uma semelhança em um pequeno trecho de Taurus em relação a melodia usada na introdução de Stairway to Heaven. Mas apenas um trecho bem pequeno, que é repetido na música Taurus, foi utilizado.

A semelhança é grande, mas especialistas dizem que há diferenças nas notas e nos arranjos em alguns trechos. É algo que não posso afirmar. Obviamente a observação de especialistas será indispensável no julgamento de Page e Plant. Há quem diga que a intenção de Randy California é apenas que os dois creditem Taurus como música incidental (espécie de caso onde em um medley, uma das músicas aparece em um pequeno trecho), respeitando a autoria da dita cuja. Possivelmente a solução será esta.

De qualquer forma, achei a análise de um músico sobre a semelhança das duas faixas. Ele notou diferenças. Além da análise, coloco os videos com as belas músicas para serem comparadas, analisadas e - porque não? - curtidas. Tirem as suas conclusões.



quinta-feira, 21 de abril de 2016

Morre Prince, o verdadeiro gênio negro dos anos 80

Embora muita gente considere Michael Jackson, falecido em 2009, como o grande gênio dos anos 80, isso não passa de mito, pois a obra de Jackson era mediana e apesar de ser compositor, ele contava com o auxílio de muitos profissionais por trás dele. Na verdade, o gênio negro de fato dos anos 80 atendia pelo nome de Prince Rogers Nelson.

Prince foi encontrado morto hoje de tarde. Não se sabe a verdadeira causa da morte, embora ele possivelmente estivesse doente e seu avião tenha sofrido um acidente. Pode ter sido um desses motivos. Foi uma grande e irreparável perda.

Prince era um verdadeiro gênio, pois além de criar uma obra perfeita e original, sabia como ninguém criar um equilíbrio entre a música comercial e a cultura alternativa. Era simultaneamente mercantil e espontâneo; funqueiro (no sentido original do termo) e roqueiro; fazia entretenimento sem abandonar o lado intelectual; frequentava a parada de sucessos, mas assimilando novidades da cultura alternativa. Enfim, Prince era um conciliador. E tanto ele quanto a cultura se deram bem com essas conciliações, que somente Prince tinha condições de fazer.

Apesar de meio apagado da mídia nas décadas posteriores, Prince nunca deixou de fazer um trabalho de qualidade, sempre procurando se evoluir e fugir do óbvio, mas sempre mantendo uma boa relação com o show business, mesmo evitando se submeter a ele. Seu trabalho era original e inteligente e criado totalmente pela iniciativa de Prince, que fazia tudo em sua carreira, sendo um autêntico multi-homem. Mesmo com sua banda, sempre deixou claro que era ele o criador e mentor de tudo que era feito. E feito com a mais dedicada qualidade musical.

Prince também lançou outros talentos como Appolonia, Sheila E e Jesse Johnson, que foram músicos de sua banda de apoio, a Revolution, além de compor o primeiro sucesso da banda feminina Bangles, sob um pseudônimo. Influenciou muitos cantores tanto comerciais como alternativos, coerente com a capacidade de Prince de circular pelos dois meios sem problemas.

Foi esse grande diplomata da cultura mundial que perdemos hoje, um artista único e sempre necessário para um meio onde a música comercial e a cultura alternativa nunca se entenderam (e ainda não se entendem), tendo que recorrer a um verdadeiro gênio para que a cultura possa se equilibrar e estar em constante evolução.

Vá em paz, Prince. E obrigado por tudo!

E quando os pombos choram...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Álbum da Selena Gomez salvou o CD de sua extinção

Em 2010, apareceu uma notícia que mesmo lançada em forma de boato, aprecia verdadeira: a de que o CD seria extinto em 2012. A queda de vendagens estaria impulsionando a decisão que prejudicaria pessoas que como eu gostam de colecionar o CD físico nas estantes.

Mas estamos em 2016 e o CD está ainda aí e o que é melhor, retomando o fôlego. Tudo bem que o mp3 foi um formato muito bem vindo e é muito bom para ouvir em celulares na rua. Mas os CDs trazem o gostinho de termos álbuns completos para comprar e pôr em coleções.

Muitos jovens, mesmo gostando de mp3 descobriram o prazer de ter o disquinho na mão, com capa, caixa e tudo. E sabem como eu percebi isso? Em postagens no Twitter de fãs da Selena Gomez que postaram muitas fotos posando com o Cd físico do álbum. 

Mesmo que o álbum esteja vendendo bem em seu formato virtual, o disquinho físico segue o mesmo caminho, fazendo com que os fãs da Selena sintam orgulho de mostrar o álbum físico de sua cantora favorita. 

O álbum, o segundo sem a banda The Scene (que pelo jeito segue sem Selena) é meio fraco, se comparado aos trabalhos com a banda, mas tem seus bons momentos, acima mesmo do que e produzido em matéria de música comercial na atualidade.

Mas o que se pode dizer é que Selena mostrou para a industria fonográfica que comprar CDs ainda vale a pena. Mesmo não curtindo o som da bela cantriz, os entusiastas do formato podem agradecer a Selena por ter salvo o formato. Obrigado, Selena, por manter o CD ainda vivo.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A importância de David Bowie

Nestas semanas muito se falou sobre David Bowie, falecido após uma longa e discreta luta contra um câncer. Revelou-se pouco depois que foi câncer de fígado que o matou, embora o cantor tivesse problemas cardíacos, sofrendo seis infartos em 2015.

Bowie, genial como sempre foi, sendo um cantor-símbolo da criatividade na música, por saber que iria morrer, decidiu anunciar sua morte de forma artística e mesmo visivelmente debilitado, aceitou gravar um videoclipe, coerentemente com a sua proposta "Sound +Vision" que lançou nos anos 90 e que foi inclusive o nome do pacote que trouxe o relançamento de todos os seus álbum remasterizados na época.

Em Lazarus, nome referido ao personagem bíblico que "ressuscitou" (na verdade, sofria de catalepsia e foi curado desta doença), Bowie está numa cama de hospital agonizando e no mesmo vídeo aparece dançando de forma desajeitada, com evidente dificuldade de se movimentar. Bowie aparece magérrimo, mas com o rosto inchado como uma bola. Uma cena triste de se ver. Eu vi o clipe e me senti constrangido a ver um ídolo, famoso pelo seu dinamismo, se deteriorar diante da tela.

Mas durante o anúncio de sua morte e do lançamento de seu derradeiro álbum Blackstar, composto durante o período de doença e por isso mesmo sendo todo temático sobre a morte, muita gente, sobretudo os mais jovens perguntavam: quem é esse tal de David Bowie que todos estão falando tanto?


Não faremos uma biografia dele e nem falaremos muito. Não é a intenção desta postagem. Queremos aqui nos limitar a responder essa pergunta citada, falando sobre a importância que Bowie tinha (e ainda tem, sua obra é imperecível) na música.


Nascido David Jones e mudado seu sobrenome para um estranho "Bowie" para não ser confundido com o líder da banda americana de teeny bop The Monkees, Davy Jones, Bowie iniciou fazendo o rock básico típico da segunda metade dos anos 60. Mas ainda na mesma década muda seu som para uma mistura de folk e de glitter (nome que o glam rock tinha na Inglaterra), com pitadas de psicodelismo, já lançando seu primeiro clássico, a belíssima Space Odditty, uma das musicas dele que eu, pessoalmente, mais gosto.

E daí se iniciou o que seria uma tradição na sua carreira e sua marca registrada: a mutação. Apelidado de "Camaleão", Bowie mudava de sonoridade a cada disco, mas do contrário de muitos cantores, o fazia não para aderir a modismos, mas para fugir deles. Para Bowie, que compôs e gravou uma canção chamada Changes (nome de sua coletânea no pacote Sound + Vision), as mudanças tinham a intenção clara de aperfeiçoamento, o que o tempo comprovou ser verdadeira.

Depois do glitter e do psicodelismo, passou para o rock setentista, para o eletrônico alemão (teve relação de admiração recíproca com o grupo Kraftwerk), para o soul, para o new wave, para a música eletrônica mais moderna, e o que você puder imaginar. Blackstar, seu derradeiro álbum e réquiem definitivo foi classificado como álbum de jazz. Mostrando que mesmo à beira da morte, Bowie estava a fim de mudanças. Mas desta vez a mudança foi radical, pois incluiu a sua saída do planeta Terra.

Bowie havia voltado a sucesso. Embora nunca tenha tido uma fase decadente (embora os álbuns seguintes ao seu álbum mais popular, Let's Dance (com sonoridade ora funk do tipo Chic - Nile Rodegers era o produtor - ora new wave, o som da época), sejam meio fracos, comparados a sua capacidade de criar), sua popularidade havia caído nos anos 90, embora tivesse recuperado a criatividade já os anos 90, com bons álbuns.

Recentemente, havia lançado The Next Day, pelo seu próprio selo, criado em um acordo com a Columbia (é este selo que lança Blackstar), com sucesso de crítica e de público. Bowie havia feito um álbum triste, tendo a velhice como tema, mas sem imaginar que esta velhice duraria bem pouco. A capa, a mesma do álbum Heroes mas com um quadrado branco tapando os detalhes, era uma referência de retorno, de retomada, de reinício. Mas acabou-se o que era doce.

Não teremos outro Bowie. Mesmo sendo muitos, como um Fernando Pessoa da música (além de mutante, Bowie tinha até seus personagens, Ziggy Stardust, Aladin Sane, Major Tom e outros), cada um com seu estilo e personalidade, mas era um só. Seus personagens na verdade eram fruto de sua obsessão por mudanças e por progresso. Era entusiasta da evolução artística e da tecnologia, sendo usuário assíduo de redes sociais, onde era amigo de fãs que lhes serviam de inspiração para trabalhos posteriores.

Infelizmente não temos mais Bowie. Mas ficam as suas lições, perfeitamente registradas em quase 50 anos de carreira. Ouçamos-as e tiremos proveito de um artista que era único, ao propor mudanças em um mundo que vive se recusando a mudar. Mudemos com Bowie e como Bowie, se quisermos que o nosso mundo seja cada vez melhor.